• Internet das Coisas melhorando a vida dos diabéticos


    Postado originalmente no Medium: http://bit.ly/IoTeDiabetes

    Desde que comecei minha jornada através das coisas conectadas, procuro descobrir projetos que fazem real diferença na vida das pessoas, organizações, daquela que é palpável, mensurável.

    E essa solução que vou mostrar aqui para vocês, é uma delas. É uma ideia sensacional, que foi colocada em prática com primazia pela Abbott.

    Eu sou diabética tipo I, aquela que é insulinodependente, ou seja, preciso de aplicações diárias de insulina para sobreviver.

    Aparentemente é uma coisa simples, o médico diz qual dosagem da insulina e você aplica diariamente, certo? Não. Errado.

    Vou explicar, de maneira bem leiga, como o mecanismo da insulina funciona no nosso organismo.

    A insulina é um hormônio. Ela é produzida pelo pâncreas, um órgão do nosso corpo. A insulina é responsável por transportar a glicose dos alimentos que ingerimos para dentro das células do sangue. A glicose é fundamental para o funcionamento do nosso corpo, sem ela a gente simplesmente não sobrevive. Ela nos dá energia, ela é fundamental para o funcionamento do cérebro, que por sua vez, é responsável pelo funcionamento de todos os outros órgãos.

    Quando por qualquer motivo, o pâncreas de uma pessoa deixa de produzir insulina, a glicose fica "solta", na corrente sanguínea, ela não é transportada corretamente para as células, causando uma série de complicações.

    A glicose que fica na corrente sanguínea sem ser transportada como deveria para as células, deixa de cumprir seu principal papel que é de fazer nosso corpo funcionar, é quando os sintomas do diabetes começam a surgir.

    O funcionamento do pâncreas é algo que nem sempre pode ser recuperado. Alguns tipos de diabetes são irreversíveis. O tipo I que é o meu, é um desses. Meu pâncreas perdeu totalmente a capacidade de produzir insulina, por isso, eu preciso monitorar várias vezes por dia meus níveis de glicose para prevenir as complicações da alta glicose no sangue e do mal funcionamento do meu corpo.

    Então não é só tomar insulina. É saber se os níveis estão aceitáveis, se as doses estão sendo suficientes, se o tratamento está sendo eficaz.

    E como isso é feito?

    Através das diversas medições diárias de glicose no sangue. É o que chamamos de medição capilar. É feita furando a ponta dos dedos, extraindo uma gotícula de sangue que diz o valor da glicose. À partir daí você sabe quanto precisa tomar de insulina. Eu tomo dois tipos de insulina, uma chamada basal, que age durante todo o dia e toda a noite e tem uma dose fixa, e uma chamada de ação rápida, que eu tomo antes das refeições e quando por acaso tenho uma alta na glicemia.

    E toda vez que tenho que tomar insulina, tenho que medir a glicose antes.

    Mas porquê?

    Primeiro para saber qual o nível de glicose, se estiver acima do aceitável eu preciso tomar uma dose para corrigir o valor, se estiver abaixo do normal (hipoglicemia), eu não posso tomar insulina com o risco de piorar o baixo nível de glicose que pode levar até mesmo ao estado de coma e morte.

    Considerando que eu faço normalmente três refeições grandes (café da manhã, almoço e jantar) e duas refeições pequenas (lanche da tarde e antes de dormir). São no mínimo cinco picadas nos dedos diariamente para medir glicose.

    A picada em si não dói, a lanceta (que fura o dedo) é muito fina, mas as mais de 100 picadas por mês (isso desconsiderando as picadas de emergência, em caso de hipoglicemia ou hiperglicemia), causam complicações ao longo do tempo, como perda de sensibilidade na ponta dos dedos, pequenas inflamações nas furadas.

    Sem contar o fator financeiro. Para uma medição capilar comum, você precisa de:

    - lanceta
    - fita medidora
    - aparelho glicosímetro

    E se você for bem metódico e não confiar em apenas lavar as mãos antes da medição, você ainda precisa de esponjinhas com álcool (que vêm em envelopinhos e não são nada baratas).

    Mas também há o fato de que é um processo relativamente complicado que não dá pra fazer em qualquer lugar e quando você trabalha ou estuda, complica ainda mais sua vida. Você não pode parar no meio de uma reunião ou de uma prova, espalhar a sua parafernália numa mesa e furar o dedo e esperar que as pessoas não achem que você é insano.

    A medição capilar comum complica muito a vida dos diabéticos. E é muito cara.

    Então imagine se você pudesse medir sua glicose sem precisar furar seu dedo?

    Já é possível. E é uma solução de IoT que tornou isso real.

    Eu não consegui o vídeo em Português do Brasil, mas o de Portugal é tranquilo de entender 😀

    O FreeStyle Libre é uma das soluções de IoT mais completas e mais relevantes que eu já conheci.

    Através de um sensor inserido no braço do diabético, você faz apenas uma picada a cada 14 dias, para instalar o sensor, que tem o tamanho de uma moeda de 1 real e uma sonda extremamente fina que fica inserida no braço.

    Instalado o sensor, você precisa apenas aproximar o glicosímetro para extrair a medição.

    Além de ser realmente muito tranquilo e poder realmente ser feito em qualquer lugar e de maneira muito discreta, por cima da roupa, como o vídeo mostra, ele ainda armazena as medições por até noventa dias e traça perfis do seu controle. Que são extremamente importantes para o seu médico endocrinologista.

    Ele tem outro diferencial importante que é trazer a tendência da sua glicose. Que é nada mais que te dizer se você está em uma curva de alta, baixa ou estável.

    Você sabe facilmente se está a caminho de uma hiperglicemia (glicose alta), ou hipoglicemia (glicose baixa). Ambas tem alto potencial de complicações que podem levar a morte, entre outras coisas que não vou mencionar aqui porque não é o foco do artigo.

    Como funciona a arquitetura dessa solução, de forma bem simples?

    - Um sensor que coleta a informação da glicose da pessoa que o usa;
    - A informação é enviada para um serviço de nuvem;
    - A informação é recebida e tratada para enviar um alerta através do aparelho medidor;
    - A informação recebida é armazenada para consulta posterior;
    - A informação recebida e armazenada é tratada para enviar insights, para produzir gráficos de tendências e informações relevantes para o usuário.

    É muito completo. Funcional. Um diferencial incrível de fato.

    Eu ainda não uso. O curso ainda é um impeditivo de se tornar acessório padrão dos diabéticos, mas espero que com a rápida evolução tecnológica que a gente vive, em breve ele seja mais acessível e seu potencial de prevenção de complicações da doença, seu potencial de inclusão dessas pessoas na sociedade e o potencial de economia na saúde pública, seja reconhecido e aproveitado.

    É espetacular ver algo em que eu trabalho diariamente provar ser tão benéfico e que pode fazer a diferença realmente. Isso não é criar um problema para resolvê-lo, é resolver um ENORME problema na vida de quem convive com essa doença todos os dias.

    Espero que tenham gostado, que eu tenha sido esclarecedora, que esse conteúdo possa ter sido relevante para sua vida de alguma forma.

    Nos vemos novamente em breve, para falar de tecnologia de uma forma descomplicada, mas útil. 

    O site do FreeStyle é:


    Observação: Não recebi nada para falar do produto. É realmente um post que é apenas fruto de pesquisa e opinião pessoal.
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